Entre os dias 12 e 24 de janeiro, nossos seminaristas da Diocese de Ipameri vivenciaram a Segunda Experiência Vocacional Missionária Nacional. Ao lado de cerca de 200 seminaristas de todo o Brasil, eles se reuniram em Palmas (TO) para momentos intensos de oração e formação. ​No dia 15, o grupo partiu para as diversas dioceses do Tocantins, para a Diocese de Santíssima Conceição do Araguaia e para a Prelazia de São Félix do Araguaia. Foram dias de pé na estrada, escuta e anúncio do Evangelho!

​De volta a Palmas no dia 22, o sentimento era de gratidão pelos frutos colhidos e pelas histórias vividas em cada comunidade.

Apresentaremos os testemunhos de nossos seminaristas em suas experiências missionárias nas diversas cidades do estado do Tocantins.

Seminarista Marcello Matos Marreiro (4º Ano da Etapa Configurativa)

A segunda experiência missionária nacional foi um momento de profunda riqueza. Iniciar a caminhada ouvindo os Bispos e padres sobre a missão foi fundamental para nos conscientizar de sua urgência. Os momentos de espiritualidade como a Lectio Divina comunitária, a Liturgia das Horas e a Santa Missa encorajaram-nos para os dias que viriam nas dioceses.

A presença do Arcebispo de Palmas, Dom Pedro Brito, foi marcante. Com seu carisma, ele cativou a todos ao nos ensinar canções missionárias para cantarmos nos locais de envio. Refleti que os três dias iniciais em Palmas foram essenciais para que nos preparássemos para a missão da melhor maneira possível.

No dia 15, fui enviado para Campos Alto, uma zona rural na diocese de Santíssima Conceição do Araguaia (PA). Lá, encontrei um povo acolhedor e sedento de Deus. Fomos recebidos com carinho por uma família que hospedou a mim e a outros dois seminaristas. A convivência com eles foi excelente; poder conhecer e partilhar o cotidiano com dois futuros padres foi uma experiência muito enriquecedora, que fortaleceu ainda mais o nosso espírito de unidade.

Durante o dia, visitávamos os habitantes da região. Escutamos histórias diversas: desde pessoas de fé fervorosa até aquelas que estavam afastadas da vida comunitária. A todos, buscamos levar o amor de Deus e mostrar a grandeza de caminhar em comunidade. À noite, as celebrações da Palavra e a oração do Terço eram momentos de forte participação; impressionou-nos a sede espiritual daquele povo.

Vivenciar essa missão em outra cultura alargou minha visão de Igreja. Conhecer uma comunidade rural que, pela escassez de padres, conta com a missa apenas uma vez por mês, transformou minha percepção. Essa experiência me ajudou a reafirmar o meu “sim” a Deus e à missão que Ele deseja me confiar.

Seminarista Gabriel Alencar (1º Ano da Etapa Configurativa)

A II Experiência Vocacional-Missionária Nacional, promovida no Regional Norte 3 da CNBB, foi para mim, Seminarista Gabriel de Alencar Inácio, um verdadeiro kairós: um tempo de graça em que, no calor do povo e na simplicidade da missão, pude reexperimentar as alegrias de ir ao encontro do próximo.

Fui enviado à Diocese de Miracema, na Paróquia São Sebastião, em Colinas do Tocantins, juntamente com os irmãos Kaio (BA), Ovídio (CE) e Hélio (MT). Desde a chegada, sentimos que não éramos visitantes, mas irmãos voltando para casa. O cuidado pastoral do Padre Milton, pároco, do Padre Joel, vigário, e de toda a comunidade revelaram uma Igreja onde a missão não é um evento, mas um modo de viver o Evangelho.

A Paróquia vivia os festejos de seu padroeiro, São Sebastião, e fomos inseridos nesse contexto celebrativo. Partilhávamos a fé viva do povo na oração e na tradição. A cada noite, após os dias intensos de missão, reuníamo-nos na Matriz, aprendendo que a piedade popular é um verdadeiro lugar teológico, onde Deus fala através do povo simples e fiel. Durante a semana, visitamos as comunidades urbanas: São Patrício, São Joaquim e Santa Ana, São João Batista e Nossa Senhora das Graças.

Ao caminhar pelas ruas e entrar nas casas e comércios, ouvimos histórias e rezamos com famílias marcadas por dores e esperanças. Essa programação mostrou que evangelizar é estar presente, escutar com o coração e deixar-se tocar pela realidade do outro.  No final de semana, cada seminarista foi enviado a uma comunidade rural, sinal de uma Igreja em saída. Fui destinado à Comunidade São Bento, a cerca de 60 km da cidade.

Ali, no ritmo do campo, visitei famílias e ouvi histórias de luta e confiança desarmada em Deus. No domingo, ao celebrar a Palavra, experimentei que a Igreja se constrói como comunidade reunida. Compreendi que a missão não é levar Deus – Ele já está lá -, mas reconhecer e cuidar de Sua presença no meio do povo. Após a celebração, a comunidade reuniu-se para a partilha do alimento. Ninguém tinha pressa; permanecíamos em comunhão, partilhando a vida. Veio-me à memória o clamor de Pedro: “Senhor, é bom estarmos aqui” (Mt 17,4). Aquela comunidade tornou-se imagem viva da Igreja primitiva: perseverante na Palavra e na caridade.

Volto com o coração marcado. A missão me ensinou que a vocação se purifica no encontro e se confirma no amor à Igreja concreta. Esta experiência foi um profundo deslocamento interior, no qual encontrei Cristo vivo no rosto do povo da Diocese de Miracema. Dou graças a Deus por essa memória agradecida que me impulsiona a continuar dizendo: “Eis-me aqui, Senhor.”

Seminarista Raí Caixeta Pinheiro (1º Ano da Etapa Configurativa)

Participei da 2ª Experiência Vocacional Missionária Nacional dos Seminaristas movido, antes de tudo, por uma inquietação pessoal. Tem me tocado o fato da diocese de Ipameri acolher um número expressivo de padres missionários, homens que deixaram suas seguranças para doarem suas vidas em nossa diocese. Essa realidade despertou em mim o desejo de também experimentar, ainda como seminarista, o que significa sair de si, atravessar fronteiras e adaptar-se a novas realidades.

Nessa experiência missionária muitos elementos foram marcantes, destacarei alguns. Começo pelo intercâmbio entre seminaristas, já que a experiência foi enriquecida pela convivência e partilha com seminaristas de todas as regiões do país. Isso possibilitou compreender a diversidade da Igreja no Brasil, marcada por realidades distintas, mas unida pela mesmo objetivo: anunciar o Evangelho.

Também destaco a acolhida das famílias que foi, sem dúvida, um sinal concreto do cuidado de Deus, iluminando a palavra de Jesus em Marcos 10,29-30, quando Ele afirma que quem deixa casa, irmãos ou pais por causa do Evangelho recebe cem vezes mais já neste tempo. Em Palmas (TO), onde aconteceram a formação inicial e a avaliação final, fui acolhido com grande carinho pelo jovem casal Eldio e Suzza e pela pequena Heloísa, de apenas três meses, e ali ganhei também um irmão de caminhada, Gabriel Hudson, da diocese de Anápolis (GO). Já na diocese de Santíssima Conceição do Araguaia (PA), onde realizei a missão propriamente dita, fui acolhido pelo casal Manoel e Fátima, testemunhas de 47 anos de matrimônio, e acompanhado por mais um novo irmão, Rikelme, da diocese de Floriano (PI).

Por fim, não menos importante, as visitas missionárias, feitas de porta em porta, na cidade de Conceição do Araguaia (PA), foram sempre uma surpresa, pois nunca se sabia quem seria encontrado: homens, mulheres, idosos, jovens, crianças, católicos ou pessoas de outras religiões. No entanto, nada disso era mais importante do que o essencial: o amor de Cristo. Foi esse amor que me uniu a cada pessoa e a cada família que abriu sua casa e, sobretudo, seu coração para a escuta da Palavra de Deus.

Seminarista Davi Durante Vieira (2º Ano da Etapa Discipular)

A 2ª Experiência Vocacional-Missionária Nacional de Seminaristas, que aconteceu entre os dias 12 e 24 de janeiro de 2026 no regional Norte 3, foi, para mim, antes de tudo, um chamado ao desapego e à conversão. Os três primeiros dias que passamos em Palmas (TO) foram dedicados à formação para a missão dos dias seguintes, porém, já em nossa hospedagem pelas famílias que nos acolheram na capital tocantinense, começávamos a viver essa missão. Convivíamos, afinal, com pessoas que nos abriram seus lares, alteraram suas rotinas, reorganizaram suas tarefas, tudo em vista do nosso acolhimento, e tudo feito com evidente alegria. Diante desse início de missão, vinha-me a inquietação de que, se era assim, com tanto carinho e desapego, que a família me acolhia em sua casa, maior deveria ser o meu empenho de também desapegar-me.

A exortação à natureza missionária da Igreja destacou-se para mim durante os dias de formação em Palmas. A missão não poderia ser entendida pontualmente, como se reservada a tempos específicos, mas ela deveria ser um desenvolvimento natural do cristão batizado, uma propagação espontânea de um bem que se tende a propagar. A convivência com a família em Palmas nos três primeiros dias pôs-me em atenção quanto a até que ponto eu vivia de fato a missão.

Terminados os três dias de formação, fomos então para as paróquias do regional Norte 3 onde cada seminarista faria a sua experiência missionária de uma semana. Fui juntamente com outros cinco seminaristas para a cidade de Paraíso (TO), e a mim coube a missão na Comunidade Nossa Senhora das Graças, da Paróquia São José Operário, e, tal como se deu em Palmas, também nessa cidade era a família acolhedora o primeiro lugar de missão. Outra vez me vi admirado pela família a abrir seu lar e a reorganizar sua rotina, e isso com inegável alegria, para me receber e me ajudar a realizar as atividades missionárias, e novamente fui impelido a me questionar sobre quão desapegado de mim mesmo eu realmente estava.

Em geral, o trabalho desempenhado ao longo da semana constituiu-se de visitas agendadas às casas de cristãos católicos afastados da vida em comunidade, cada visita com a duração média de uma hora, em que as pessoas permitiam fazer-se conhecer e em que a graça de Deus manifestava de maneira multiforme o poder redentor e revigorante do Cristo em nós. Além das visitas, promovemos também um encontro com os adolescentes e jovens da comunidade e as orações do terço na capela durante as noites.

Terminada a semana de missão, todos os seminaristas regressaram a Palmas, onde permanecemos dois dias a avaliar a experiência missionária e a registrar as suas lições para a formação dos seminaristas. Quanto a mim, considero-me marcado por cada família que conheci nas visitas às casas, surpreso pela sutileza da misericórdia de Deus, capaz de alcançar cada recanto pessoal de nossas histórias, e, sobretudo, impelido fortemente ao desapego para que, em mim, a natureza missionária possa enfim, desimpedida, desabrochar-se.

Seminarista Rick Luan de Miranda Teixeira (1º Ano da Etapa Discipular)

Participar da II Experiência Vocacional – Missionária Nacional de Seminaristas, “Pés a Caminho”, promovida pela Arquidiocese de Palmas e demais Dioceses do Regional Norte 3, deixou em mim marcas profundas e a certeza viva, daquilo que muito foi frisado durante as formações iniciais: “Missão é mais do que levar e fazer Cristo conhecido, é reconhecer e receber o Cristo presente no outro”.

Ao ir para o Tocantins não tinha muita certeza de nada, estava indo para um outro Estado, o qual não conhecia, participar da minha primeira experiência missionária fora de Goiás. A princípio muitas dúvidas vieram, pensava em como seria, o que encontraria, mas Deus cuidou de cada detalhe, desde a minha chegada até o fim da missão.

Em Palmas fui acolhido pela família do Sr. Roberval, Dona Rosilene e filhos, que me receberam como um filho e não mediram esforços para me deixar a vontade em seu lar.

As formações iniciais aconteceram em Palmas, onde fomos instruídos sobre a missão e sobre o que é ser “missionarista”, termo pelo qual fomos chamados, também fomos informados sobre as realidades de cada Diocese onde seriam realizadas as missões. Esses dias também foram cruciais para conhecermos os demais irmãos vindos de outras regiões do país, que por meio das partilhas muito contribuíram para nosso crescimento.

Após dois dias e meio de formações fomos distribuídos para as Dioceses participantes, fui designado para a Diocese de Miracema do Tocantins, ficando juntamente com o Frei Higor, O. Carm., de São Paulo, na Catedral Santa Terezinha do Menino Jesus. Ficamos hospedados na casa de Dom Philip Dickmans, Bispo Diocesano local, onde fomos muito bem recebidos.

Em Miracema basicamente acompanhamos o padre Yago nas atividades paroquiais, como Celebrações e visitas. Tivemos oportunidade de visitar algumas comunidades, conhecendo a realidade do povo e escutando suas partilhas e testemunhos de vida. Visitamos e rezamos com os idosos e enfermos. Visitamos o comércio, onde encontramos muitas pessoas de outras crenças, com predominância protestantes pentecostais, que apesar de expressarem uma outra realidade de fé nos acolheram com muito carinho e respeito.

Também tivemos a alegria de entrar em contato com o povo indígena Xerente, visitamos a Aldeia Recanto do Cacique Valdemar, que fica do outro lado do Rio Tocantins, na cidade de Tocantínia, onde o acesso se dá por meio da travessia de Balsa. Durante o percurso da travessia conhecemos um senhor da Congregação Cristã no Brasil, que muito se emocionou com nossa missão. Na Aldeia tivemos a oportunidade de conhecer um pouco a realidade do local, bem como entender seus costumes. Outra visita marcante e bem impactante foi a que fizemos ao presídio local, que conta com mais de cento e cinquenta detendos. Ali falamos sobre o amor e a misericórdia de Deus, que nos convida a sermos homens novos.

A realidade da Diocese de Miracema não foge muito da nossa, há poucos padres para uma messe grande, que necessita com urgência de homens disponíveis a dar o seu sim a Cristo e sua missão. Destaco a fé e a alegria das pessoas que ali encontrei. Cada pessoa, cada história e testemunho, cada gesto e olhar me fizeram perceber o Cristo no meu semelhante, marcando profundamente o meu coração e minha caminhada vocacional rumo ao sacerdócio. Fiquei em Miracema do dia 15 ao dia 22 de janeiro, retornando para Palmas para as avaliações finais e encerramento da missão, onde pude ouvir e partilhar sobre a minha experiência missionária.

Saio da missão com a alma renovada e com o coração evangelizado, na certeza de que a missão é um caminho de mão dupla, ao anunciar o Senhor você se enche d’Ele na mesma proporção. Sou grato a Deus por tudo que vivi e cada experiência que adquiri, que foram fundamentais para fortificar meu sim ao Senhor e ao seu chamado.