A Comissão Bíblica Pastoral Diocesana promoveu em Ipameri-GO, o Encontro Diocesano de Formação sobre o Mês Bíblico 2025. Que teve como Tema: Carta aos Romanos e Lema: “A esperança não decepciona” (Rm 5,5).

Lembrando que o Mês da Bíblia é destinado a quem quer alimentar sua fé em Jesus Cristo e vivenciá-la comunitariamente, em comunhão com toda a Igreja no Brasil. Pensando assim, o material como texto base foi promovido pela Comissão de Animação Bíblico Catequética da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), e contou com os assessores: Diácono João Estelita de Almeida, Frei Valmir Ramos, OFM e Dom José Francisco Rodrigues do Rêgo, Bispo Diocesano de Ipameri-GO.

O Encontro foi realizado no Centro Diocesano de Formação Pastoral em Ipameri, em 23 de agosto. A formação teve como objetivo inspirar os animadores, catequistas e líderes pastorais, abordando o tema e o lema do Mês da Bíblia de 2025.

Dom Francisco, fez a acolhida de todos os participantes, e agradeceu aos assessores que se disponibilizaram de seu tempo para estudar e trabalhar o tema a ser aplicado a todos os presentes.

O Diác. João Estelita apresentou em primeira mão a estrutura da Carta aos Romanos, como:

  • Capítulos 1-3: O pecado universal e a necessidade de salvação.
  • Capítulos 4-8: A justificação pela fé e a vida nova no Espírito.
  • Capítulos 9-11: O plano de Deus para Israel e os gentios.
  • Capítulos 12-16: Orientações práticas para a vida cristã.

A chave de leitura da carta é a “esperança”. Por isso vem à pergunta: Por que o lema: “A esperança não decepciona”? Uma vez que vivemos em um mundo marcado por incertezas e desesperança. Um mundo que há a necessidade de redescobrir a esperança. Pela esperança somos chamados à confiança em Deus. Por isso, Paulo quando escreve esta carta, o maio objetivo é levar a mensagem do Evangelho as comunidades cristãs. O Evangelho como poder de Deus para salvação. O Povo precisa conhecer a verdade, sejam eles gentios ou judeus, todos precisar ter consciência da justiça de Deus em prol da salvação ao qual tira o homem do pecado e o guia pela ação do Espírito Santo.

Quem não já ouviu falar a famosa frase de São Paulo “o justo viverá pela fé” (Rm 3,11). Para Paulo a justificação não vem pela observância da Lei mosaica, mas pela fé em Cristo. O conceito de “justiça de Deus”.

  • O JUSTO” → Quem é? Como se torna? (caps. 1-5)
  • VIVERÁ” → Que tipo de vida? Como viver? (caps. 6-8)
  • PELA FÉ” → O que é fé? Como opera? (toda a carta)

O apóstolo Paulo cita o profeta Habacuque, aplicando o verso à justiça que vem de Deus através do evangelho, que é recebida por fé. Este profeta declara que o justo viverá pela sua fidelidade, um princípio que é reafirmado e ampliado nas passagens do Novo Testamento (Hab 2,4). Viver pela fé significa colocar toda a confiança no Senhor, em Suas promessas e em Seu desígnio. A fé implica em ser fiel a Deus, buscando conhecer e obedecer à Sua vontade, mesmo diante de desafios. A fé traz paz ao coração e a capacidade de exultar em Deus, mesmo quando as circunstâncias são difíceis. Na fé cristã, isso significa uma entrega plena e relacionamento com Jesus, que abre o caminho para a vida com Deus. “O justo viverá pela fé” significa que a vida de uma pessoa justa é caracterizada pela confiança, fidelidade e obediência a Deus, não pela capacidade de cumprir a Lei, mas pela fé em Jesus Cristo, que se torna o guia e a fonte de toda a vida.

Quem nos poderá separar do amor de Cristo? A tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo, a espada? Mas em todas essas coisas somos mais do que vencedores por meio daquele que nos amou (Rm 8,35, 37-39).

O Frei Valmir, fez uma analise da Carta aos Romanos a partir do Agir Cristão no Pensamento Paulino.

Esta carta representa uma das mais profundas reflexões teológicas do Novo Testamento sobre a vida cristã. O agir cristão, segundo Paulo, não é meramente uma lista de regras morais, mas uma transformação radical da existência humana fundamentada na obra redentora de Cristo. É bom ter a consciência de que o agir como cristão significa amar o próximo, reconhecendo que o amor se manifesta concretamente na partilha de fardos, bens e do próprio poder com os outros (Gl 6,2-4). Paulo adverte também contra a busca de poder e status social, encorajando os fiéis a examinar a própria conduta para encontrar satisfação em si mesma, sem comparação com outros, e a desconfiar da vaidade que leva ao engano (Gl 6,3-4).

 “Não se conformem com este mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente” (Rm 12,2). Paulo enfatiza que o agir cristão começa com uma revolução mental. Paulo reforça a todos que o agir cristão, portanto, não é individualista, mas essencialmente comunitário.

A partir do agir de Deus na pessoa, brota uma esperança. É importante lembrar que a esperança cristã não promete facilidade, mas presença divina nas lutas, propósito no sofrimento e transformação através do amor sacrificial. É uma esperança que age no presente enquanto aguarda a consumação futura, oferecendo tanto consolo para os aflitos quanto energia para a mudança social.

A esperança nasce do amor para uma expectativa do bem a qual motiva a todos a caminhar juntos tendo como foco, Jesus Cristo.

Que Nossa Senhora Mãe da esperança nos ajude a sermos perseverantes na fé, principalmente neste Ano Jubilar. Maria, com seu “sim” ao Anjo Gabriel, é um exemplo de como confiar plenamente nos planos de Deus, fortalecendo a fé e a esperança em tempos de incerteza. Ela educa as pessoas para a santidade e o amor, sendo um sinal de esperança que guia os fiéis e a Igreja em seu caminho. Assim como Maria esteve presente no meio dos primeiros discípulos, Ela continua a sustentar os fiéis nos momentos de dificuldade e sofrimento, lembrando que não estamos sozinhos. 

Como Maria que instrui aos serventes dizendo: “Fazei tudo o que Ele vos disser (Jo 2,1-11), o Ano Jubilar 2025 também nos convida a sermos autênticos “Peregrinos de Esperança”, caminhando com confiança em direção ao Reino de Deus. Não na passividade, mas, com ações concretas de amor, justiça e misericórdia. Que possamos renovar nossa fé e nosso compromisso cristão, tornando-nos sinais visíveis da esperança que Jesus Cristo trouxe ao mundo.